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O Mundo esta perdido? Ou sera que nunca foi descoberto? Tudo isto e muito mais aos olhos de um ou ate quem sabe 2 ou 3 vagabundos, procurando uma ponte segura para se abrigarem da chuva diluente que paira sobre a nossa terrinha...Mas atencao! Nada do que aqui for escrito deve ter mais credibilidade do que um vulgo testemunho de um vagabundo...Meio a serio, meio a brincar... Da responsabilidade de Manuel Carvalho

quinta-feira, novembro 13, 2003

A Música Portuguesa

Li no Jornal do Sporting a seguinte afirmação do cantor português Melão, ex-Excesso: ''Na rádio portuguesa, apenas devia passar música portuguesa!''.
A isto digo apenas: Sr. Melão, concordo que a rádio apenas devia passar música portuguesa, desde que o Sr. Melão, e tantos outros, apenas fizessem música de qualidade.... Milhões de Bandalhos já Vagabundearam! E Você?
Em Resposta ao Pedro - 2

Depois do post de ontem, fiquei ansioso pela tua resposta. Deixei-te inclusivamente uma mensagem no Messenger. Fiquei à espera... Tudo isto não só para ver como responderias à minha questão, mas também porque acreditava que a tua resposta iria aproximar ainda mais as nossas opiniões. Não me enganei. Mas disso falarei mais à frente.
Em primeiro lugar gostaria de esclarecer um ponto: nunca interpretei o teu primeiro post como algo de ofensivo ou provocatório. Percebi que a tua intenção era mostrar-me a tua opinião acerca deste grave assunto. Como tal, não foste mal interpretado.
Entrando agora no capítulo de resposta propriamente dito, gostaria de dizer que gostei muito do teu segundo e também do terceiro parágrafo. Concordo com tudo o que disseste. Nenhum ponto referido merece a minha contestação. Até quando dizes ''Mesmo que em 200 sejam só 30 alunos, são 30 alunos, e serão 30 alunos que ficam sem a possibilidade de estudar. '', concordo contigo. Concordo que é inadmissível que alguém deixe de estudar devido ao aumento das propinas. Mas, e como referi a 25 de Setembro, nestas situações o Estado deveria entregar bolsas de estudo, desde que o aluno demonstrasse real vontade de estudar. Diga-se que esta situação já acontece hoje em dia, se bem que com uma regularidade deprimente. Ponto assente: até aqui concordamos e, pelos vistos, ainda nenhum de nós abdicou das suas opiniões ou convicções, sequer as modificou. Continuando pelo parágrafo abaixo, e entrando pelo parágrafo consequente, concordo contigo em tudo. Referes os preconceitos e a questão de isto ser um beco sem saída - concordo. Ou seja, pelos vistos, temos realmente muito em comum.
Abordando agora o quarto parágrafo, e consequentemente a transcrição do Publico, pouca coisa me parece polémica. Para esclarecer tudo de uma forma clara, abordarei ponto a ponto a tua resposta.
- ''Eu acredito que não, simplesmente pela seguinte diferença: eu acredito que essa minoria que não pode pagar propinas tão elevadas, justifica o mantimento das mesmas'' - é de facto o único ponto em que discordamos. Como já disse, as propinas devem ser aumentadas, se realmente é necessário que tal aconteça. O que deve é haver um suporte do Estado aos alunos com menos posses. Na mesma linha, e esclarecendo um assunto que nunca abordei, penso que o preço das propinas deve ser aumentado consoante o curso. Acho um disparate que o curso de Direito ou o de Economia tenha as propinas ao mesmo preço do curso de Medicina.
- ''Tu acreditas que a grande maioria dos alunos gasta o seu dinheiro na farra. E então? Qualquer coisa me escapa. Não somos nós pertencentes à geração moderna, do séc. XXI? Quando vejo todos os meus colegas a saírem e tomarem uns copos, e divertirem-se, vou abdicar desse meu direito que a sociedade moderna me deu? Tenho de me tornar um abstémio e num anti-boémio porque as propinas assim o exigem? Não, eu sou jovem, e como tal, pertenço a um grupo, a uma faixa etária, que sai, que se diverte, e que desta forma, consequentemente, se integra socialmente. É meu direito fazer o que eles fazem. A diferença é que os meus pais são pobres e os deles não. Assim chegamos ao cerne da questão: não beneficiamos todos desta nova globalização? Deste novo grupo de hábitos? Queremos ser excluídos socialmente? Vamos deixar de ter vida social, porque temos de pagar propinas? Não, isso não pode ser exigido a ninguém. Nem aos pobres, nem aos ricos. '' - Mais uma vez estamos de acordo. Ninguém merece ser excluído socialmente pelo simples facto de não poder gastar o dinheiro na noite, por causa da faculdade. No entanto, devemos esclarecer algumas situações.
1- Mesmo tendo em conta tudo o que disseste, não me parece racional que ninguém, seja essa pessoa um jovem estudante universitário ou um respeitado empresário, gaste a maioria do seu dinheiro na farra.
2- Não me considero anti-boémio. Considero aliás o movimento boémio dos finais do século XIX, uma das mais fantásticas ideologias humanas alguma vez pensada. Eu próprio, como qualquer ser humana, também aprecio uma boa farra de vez em quando. O que acho, e penso que tu também deves achar, é que ninguém pode centrar toda a sua vida neste objectivo. Pelo menos inconscientemente. Mais uma vez pensando no tal movimento boémio dos finais do século XIX, as pessoas que adoptavam este “way of life” abdicavam de muita coisa, aderindo ao movimento conscientes das consequências. Não me parece que este seja o caso da maioria dos estudantes universitário adeptos da borga.
3 - Acredito, e foi isto que sempre disse (admito que talvez não me tenha expressado da melhor forma), que é um disparate que os tais meninos de classe média e alta, que têm capacidade parar pagar as propinas e para, ao mesmo tempo, ter a sua vida social bem activa, andem a protestar o aumento das ditas propinas, pelo simples facto de estas irem roubar uma pequena percentagem ao seu orçamento. Percentagem esta que, neste caso específico, seria gasta, muito provavelmente, em situações de lazer. E pelo que vejo e pelo que oiço dizer, a maioria dos protestantes, tal como a maioria dos estudantes universitário, fazem parte da classe média e da classe mais alta. Ou seja, a maioria nem tem grande necessidade de protestar nada...
4 - Penso, e mais uma vez o digo, que os tais estudantes sem capacidade para pagar as propinas deveriam receber um apoio público. Em relação à sua vida social, é de facto muito injusto que estas pessoas se vejam excluídas pelo simples facto de não possuírem dinheiro. Mas que podemos nós fazer? Não é este o problema que tu tantas vezes apontas ao mundo? O excesso de materialismo? O aumento das propinas apenas irá agravar a situação. São casos realmente deprimentes e para os quais, com o actual sistema (sem as bolsas de estudo), não encontro solução. E por isso nunca abordei o problema. Ainda assim, penso que o aumento das propinas em nada vai alterar isto, pelo simples facto de a situação já ser grave por sim só. Hoje em dia, quem não tem condições, não se pode divertir. E o estudo, é um luxo. É esta a nossa realidade. Mas não foi o aumento das propinas que causou esta situação. Obviamente.
5 - Por fim, coloco-te perante esta situação: ou estudas para teres um futuro melhor, ou te divertes, porque não possuis dinheiro para as duas coisas. Que escolherias? Não optarias pelo estudo, mesmo que isso te custasse a vida social? Mesmo sentindo-te triste, não pensas que esta seria a melhor opção? Esta seria a minha escolha. Sei que ninguém merece ser excluído, mas não será melhor que isto aconteça? Caso contrário, é o futuro que está em jogo...É óbvio que é uma situação triste, que não deveria acontecer...Mas, e perante o estado dos cofres nacionais, talvez seja um sacrifico a tomar...Talvez desnecessário, mas ao mesmo tempo indispensável....(passe o pleonasmo)
Concluindo, penso que deixei bem claro, mais uma vez, a que grupo de estudantes me venho a referir. Em relação aos outros, concordo contigo, mas que fazer?
Por outro lado, creio que ficou óbvio que sem abdicarmos daquilo em que acreditamos, concordamos em larga escala. Fico à espera da tua resposta, para constatar a real efectividade desta “aproximação”...
Milhões de Bandalhos já Vagabundearam! E Você?

quarta-feira, novembro 12, 2003

Resposta ao Pedro

Li no teu último post que discordaste do que escrevi no sábado. Nada que já não estivesse à espera. Já me tinhas manifestado pessoalmente o teu desacordo em relação a isto. Foi no entanto uma pena que o tempo para debater a questão tivesse sido nulo. Dessa forma, poderia ter-te elucidado sobre a real intenção do meu último texto.
Antes de te responder, gostava de elucidar os possíveis leitores deste blog da origem da questão.
Quando no início do ano lectivo, a questão das propinas se levantou, ambos escrevemos posts relativos a este tema. Vivíamos os dias da ''Manif do Papel Higiénico''. Também nessa altura mostrámos opiniões diferentes em relação a tão delicado tema. Mais, debatemos este assunto pessoalmente algumas vezes. Conclusão: detínhamos posições opostas! Muito dificilmente chegaríamos a um consenso. O tempo passou... Novos temas se levantaram....as propinas foram aparentemente esquecidas.
Até que na semana passada, estudantes universitários de todo o país deslocaram-se a Lisboa para, mais uma vez, protestarem o aumento das propinas. Mantive-me calado. Não valia a pena repisar o assunto, pensava eu. Até que no Sábado, li na Flor de Obsessão um post que punha em causa uma opinião, por mim subscrita (se assim podemos dizer), que ilegitimava as manifestações dos estudantes. Resumindo, a Flor dizia que duvidava que se pudesse gastar os 30€ do aumento das propinas em noitadas, tal a enormidade do preço. Perante isto, decidi mostrar que os 30€ eram realmente insuficientes para suportar as tradicionais 8 (4x sexta e sábado) noitadas mensais. Posso agora dizer que esta era a principal intenção do meu último post. Não me sentia na obrigação de repetir o que já havia escrito a 25 de Setembro. Por isso, fiz apenas uma leve referência aos estudantes. Mas, e porque tal reconheço, frisei: ''Ok! Admito que em certos casos mais 30€ possam provocar um grande rombo no orçamento pessoal/familiar. Também admito que certos estudantes não gastam assim tanto dinheiro em noitadas.''. Sintetizando, reforçava a ideia de que a maioria dos estudantes gastam o dinheiro em noitadas, sem me esquecer daqueles que não têm dinheiro para suportar as despesas inerentes ao ensino superior!
Como tal, não vejo nenhum problema no meu post, Pedro. Como tu reconheço a existência de estudantes sem capacidade financeira para suportar as propinas. Como tu reconheço que esta situação é preocupante, alarmante até. Como tu reconheço que o governo algo deve fazer. Ou seja, concordo contigo em toda a escala. Ou será que não? Será que tu não reconheces que a maioria dos estudantes do ensino superior português são na realidade uns marialvas em busca de novas emoções? Não reconheces tu que em Portugal, o estudante universitário “tipo” anda essencialmente a passear os livro, ansiando pela chegada da noite, onde aí sim se sente como peixe na água?
Todos as citações por ti apresentadas são válidos. Não há o que apontar a esses números. São factos irrefutáveis. O que te peço é que te coloques um pouco no centro de tudo e analises a questão. Será que também não me reconheces razão, na medida em que eu NUNCA falei nos estudantes adeptos da noite como um todo?

''A partir de agora deixo ao teu critério.''
(Termino o post da mesma forma que tu terminaste. Não de forma provocatória, mas de uma forma em que a questão não fique encerrada aqui. Pretendo assim, que tu me respondas, através do blog ou pessoalmente, à minha última questão.)
Milhões de Bandalhos já Vagabundearam! E Você?

sábado, novembro 08, 2003

Propinas e Noitadas

Acabo de ler, na Flor de Obsessão, o seguinte post:
''AUMENTOS: Aceito que se critique os estudantes. Que se defenda o aumento das propinas. Mas não digam que os meninos podem pagar propinas porque torram os 30 euros mensais do aumento em boémia e noitadas. Não sigo o mercado mas calculo que 30 euros, nem em Bragança.'' .
Como se devem lembrar, no dia 25 de Setembro eu próprio tinha reflectido sobre este assunto, criticando os estudantes por gastarem o dinheiro com que deveriam suportar as propinas em grandes noitadas.
Agora, o com o assunto novamente na ribalta, o Pedro, afirma que os estudantes não gastam os 30 € do aumento em noitadas, porque simplesmente seria impossível, face tão elevada soma!
Pois bem. Tal como o autor da Flor de Obsessão não sou grande seguidor do mercado, mas sei que os tais 30 €, no estado actual da noite, pelo menos da lisboeta, dificilmente chegam para duas semanas. Nalguns casos, esta soma desaparece numa semana. Ainda mais em almas sedentas de novas emoções, de novas loucuras...
Ok! Admito que em certos casos mais 30€ posso provocar uma grande rombo no orçamento pessoal/familiar. Também admito que certos estudantes não gastem assim tanto dinheiro em noitadas. Mas parece-me indesmentível que a grande maioria canaliza o seu dinheiro para as noitadas, sendo-lhes depois difícil pagar as propinas. Reforço ainda a ideia que, para a grande maioria, os 30€ do aumento representa apenas uma parte do orçamento mensal dedicado à noite!
Portanto, apenas posso dizer ao autor da Flor de Obsessão que os 30€ vão realmente para as noitadas! Milhões de Bandalhos já Vagabundearam! E Você?

sexta-feira, novembro 07, 2003

José Castelo Branco Preso!

Uma das maiores figuras da sociedade portuguesa foi ontem presa. Acusado de traficar jóias, José Castelo Branco foi colocado na prisão onde também se encontra Carlos Silvino, enquanto espera para ser ouvido pelo juíz...
Esta detenção veio tornar ainda mais dificil a semana do jet 7 português. Depois de toda a escandaleira que envolveu Cinha Jardim e as peles de animais, a propósito de uma campanha promocional, apenas faltava que alguém fosse preso, para que o que este estracto tão pitoresco fosse definitavemente abalado!
O quer isto dizer? Será que os portugueses já não valorizam assim tanto a chamada alta-sociedade? Ou, por outro lado, é o jet 7 que começa a ficar enfraquecido, perante a volubilidade daquilo que o sustenta?
Em todo caso, não será descabido dizermos que apenas falta que aconteça alguma coisa a Lili Caneças para que a Santíssima Trindade da sociedade portuguesa seja elameada.... Quem sabe não foi a própria Lili quem denunciou José Castelo Branco?....
De qualquer forma, estando na mesma prisão que Bibi, José Castelo Branco vai ter muito com que se entreter....

P.S.: Acabo de ver a notícia da libertação de José Castelo Branco....o dinheiro tem muita força... Milhões de Bandalhos já Vagabundearam! E Você?

terça-feira, novembro 04, 2003

O Regresso

De 16 de Outubro de 2003 até ao dia de hoje, 4 de Novembro de 2003, 20 dias se passaram. Muita coisa aconteceu. A direcção do mais incompetente partido de oposição que a jovem democracia portuguesa já conheceu esteve a um passo de cair; o Pipi compilou os seus posts num belo livro; o Benfica inaugurou um estádio que nem tempo teve para conhecer a vitória e quase que assistimos ao quebrar da aliança Anglo-Hispânica, por causa de um barco cheio de gente à rasca...
Mas, o acontecimento que mais tempo de antena recolheu nos meios de comunicação social foi o já deprimente processo da Casa Pia. Durante 20 dias remoeram-se notícias já conhecidas à meses. Alguns desenvolvimentos aconteceram, mas nada que já não estivéssemos à espera...
Resumindo: os últimos 20 dias foram de um pobreza franciscana tal que, de cada vez que me sentava em frente ao computador para escrever no meu pobre blogue, entrava em letargia...
Não querendo justificar o meu alheamento da escrita com o deserto de ideias que foi o último mês no nosso pobre, posso dizer que ajudou bastante.
Por tudo isto apenas posso pedir desculpa. Aos leitores e a mim mesmo, por me ter deixado embrenhar na enorme teia de complacência que varre a sociedade portuguesa. Tentarei nunca mais aí entrar...
O dia de hoje marca o meu regresso ao activo, tentando a manter a linha de pensamento com que geri o meu blog ao longo do tempo...
Terminando, apenas uma palavra de agradecimento ao Pedro, pelos fortes incentivos que me ofereceu ao longo dos últimos 20 dias, tentando motivar-me para a escrita.
Milhões de Bandalhos já Vagabundearam! E Você?

quinta-feira, outubro 16, 2003

A propósito dos 25 anos de Papa João Paulo II, será que a religião cria entraves ao desenvolvimento?

Analisando o mundo actual, facilmente constatamos que existem 5 países mais desenvolvidos, sendo que o desenvolvimento aqui se aplica à política, à economia, ao social e à mentalidade. São eles os Estados Unidos da América, a Alemanha, a Inglaterra, o Japão e o Canadá. Neste grupo poderíamos ainda incluir, a França, a Noruega e a Suécia.
Conhecendo estes países, pergunto: qual deles é um país marcadamente católico?
A resposta é obviamente nenhum, excepção feita à França, que apesar de possuir uma maioria católica, possui um estado muito independente da religião.
Posto isto, pergunto: quais são os países, que no contexto actual, possuem uma população claramente católica? Portugal, Espanha, Itália e as ex-colónias destes países. Agora pergunto: qual de entre todos estes países possui um grau de desenvolvimento sequer comparável aos países inicialmente referidos? Nenhum!
O que podemos portanto concluir? Creio que a religião católica, como é praticada, pode ser um entrave ao desenvolvimento.
Mas, será que é caso único? As outras religiões provocarão efeitos semelhantes? À parte do protestantismo, presente na maioria dos países desenvolvidos, as restantes religiões assumem um papel semelhante no mundo. Para isto, basta analisarmos a situação no Médio Oriente, onde o fundamentalismo, quer islâmico quer judeu, não permite o encontro de estabilidade naquela zona.
Visto isto, deixo aqui a questão: será a religião um entrave ao desenvolvimento? Como já acima referia, penso que sim. Porquê?
Em minha opinião, a religião está desactualizada. As principais religiões do mundo foram criadas à mais de 20 séculos, em contextos completamente diferentes dos do mundo actual.
As duas religiões com maior importância no mundo, o cristianismo e o islamismo, tiveram o seu auge durante a Idade Média, quando dominaram por completo as mentalidades do Homem.
A partir da era Moderna, muitos países forma se emancipando do jugo das religiões. Os países que se mativeram fieis aos antigos dogmas, estagnaram. E porquê? Do que conheço das religiões, estas baseiam-se na fé, remetendo os crentes para o sobre-natural, retirando-lhes o senso prático, decisivo para o progresso! Em resumo, a religião aliena as pessoas, desviando-as de assuntos realmente importantes.
Sabendo que isto pode não ser totalmente certo, deixo aqui a questão: até que ponto pode a religião travar o desenvolvimento de um país?

Manuel Carvalho
Milhões de Bandalhos já Vagabundearam! E Você?

terça-feira, outubro 14, 2003

Bragança - O Distrito Vermelho infecta A Cidade dos Anjos ou o Antro da Hipocrisia?

E eis que hoje pelas 20:00 horas, algo me tirou da monotonia de ideias em que me encontrava. A essa hora, TODOS os canais generalistas portugueses (excepção feita à RTP 2) iniciaram os seus telejornais com a mesma notícia. A respeitada (a partir de hoje já não tenho tanta certeza...) TIME publicou, na sua mais recente edição, este artigo When The Meninas Came To Town, contando detalhadamente uma das mais emocionantes telenovelas de produção luso-brasileira de sempre. Falo obviamente da história que opõe as alternadeiras brasileiras e as Mães de Bragança, a qual manteve distraídos os portugueses, durante um período escasso em novidades pedófilas...
No entanto, esta história saiu cara a Portugal, que na sua enorme futilidade, teve que dedicar cerca de um mês da sua vida à cidade de Bragança e ás suas histórias sexuais. Agora, passado quase meio ano da marcha das Mães de Bragança, eis que a história surge numa das revistas mais lidas no mundo, emporcalhando ainda mais o já elameado nome de Portugal no mundo. De país de pedófilos, passámos a país de pedófilos, putas e beatas do século XVIII. Agora, os órgãos de comunicação social portugueses sentem-se muito revoltados com o tipo de jornalismo praticado pela TIME, esquecendo-se que quem abriu a caixa de pandora foram eles próprios. Até a SIC, já elogiada neste espaço, abriu o jornal num tom extramente irónico, como que acusando a TIME de mau jornalismo, mas passado 10 minutos, lá estava, uma das alternadeiras (como elas gostam de ser chamadas), contando a sua triste história!
Daqui penso que os portugueses devem reflectir, e pensar no que andam a fazer. Em todo o mundo existe prostituição, Bragança não é caso virgem, a diferença está na atenção que se dá ao caso! Quantas vezes já não ouvimos falar do tráfico compulsivo de sexo e prostitutas existente em Espanha? E quantas vezes surgiu este caso na TIME? Pois. É que em Espanha, tal como nos outros países, a comunicação social não está interessada em destruir a imagem do seu próprio país! Mais, em Espanha não existem falsos moralismos!
E porquê falsos moralismos? Bem, ao que parece, as Mães de Bragança apenas se revoltaram a partir do momento em que surgiram as brasileiras no ''mercado''. E eu pergunto: até 2003, os homens de Bragança, não recorriam ao alterne? Durante dezenas de anos (para não ir mais além...), os maridos, os filhos, os irmãos, os pais e os avós das Mães de Bragança contentaram-se, apenas, com as suas mulheres? Será isto verdade? Se sim, as brasileiras não poderiam despertar tanto interesse, até porque para as conhecerem seria necessário irem aos bares de alterne! E o que havia lá antes das brasileiras? PORTUGUESAS! As portuguesas que por esta ou por aquela razão (estas sim verdadeiramente tristes!), não puderam vingar na vida, tendo que se contentar em ganhar um prato de comida por cada vez que dessem prazer a um desconhecido! Mas com estas, as Mães de Bragança ñunca se preocuparam! E porquê? Porque estas eram mais desgraçadas que elas! E além disso, eram Portuguesas!
Mas enfim, se calhar até estou errado, se calhar este antro de hipocrisia por mim delineado, é na verdade uma Cidade de Anjos, puros e inocentes, que foram enfeitiçados por umas meretrizes brasileiras e difamados por uma revista de um país distante e ignorante.... De qualquer maneira, e como disse ainda agora Rui Unas, Bragança é "a nova capital mundial do Putedo"! Milhões de Bandalhos já Vagabundearam! E Você?
Ana Gomes, a camarada que falou de mais...

Antes de mais, gostaria de assinalar algo: enquanto cresci, uma das personalidades socialistas que mais aprendi a admirar foi Ana Gomes, devido ao seu louvável trabalho em prol de Timor e dos interesses nacionais nesse mesmo país, lutando pela indepêndencia deste, em pleno terristório ''inimigo''. Jacarta, capital da Indonésia. O trabalho em Timor acabou, e Ana Gomes voltou a Portugal, para se integrar na bancada socialista do parlmento. Ao longo destes quase dois anos em que foi deputada, manteve o respeito que conquistara, agindo sempre serenamente, responsavelmente e coerentemente.
No entanto, toda a imagem conquistada por Ana Gomes pode ter caído, após as declarações desta numa reunião com ''camaradas'' seus, na qual disparou na direcção da procuradoria e da sua figura máxima, Souto Moura.
Recorde-se, que na sequência da escandalosa recepção dos socialistas a Pedroso na Assembleia, Souto Moura havia dito que o Estado de Direitos português estava em risco a partir do momento em que se politizava a justiça como o PS havia feito nessa rececção (opinião aliás da qual partilho, e a qual escrevi antes mesmo de Souto Moura se pronunciar).
Respondendo a estas afirmações, Ana Gomes afirmou que quem tinha a responsabilidade de introduzir a política na justiça era justamente o procurador, questionando ainda a competência da procuradoria, devido a uma notícia publicada à cerca de 4 meses numa revista sensasionalista francesa (''Le Point''), a qual afirmava haver dois ministros pedófilos no governo.
Desde já levanto uma questão: Dr. Ana Gomes, sabe que Portugal é um Estado de Direitos, onde o regime político em vigor é a democracia, e que como tal, impera a separação de poderes? Não me parece. Mas devia! Afinal, está na Assembleia a fazer o quê? Porque se o soubesse, não pediria (?) ao Procurador Geral da República, máximo representante do poder judicial, para este intervir na política, do foro do poder executivo e do legislativo! Para álem disso, se a Procuradoria fosse investigar todas as calúnias levantadas pela imprensa, nada mais faria, como todos sabemos!
Por fim, fiquei ontem a saber, também por Ana Gomes, que o PS não apoia a entrega da chefia da missão portuguesa no Iraque a um ''camarada'' socialista, José Lamego... Parece-me que cada vez mais a sede de poder cega o PS! Se tivesse sido um social-democrata o nomeado, andávamos aí a ouvir que tinhamos entrado novamente na política de jobs for the boys...

Manuel Carvalho Milhões de Bandalhos já Vagabundearam! E Você?

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